Luiz Carlos Trabuco Cappi e a concorrência pela presidência do Banco Bradesco

Sabe aquela história de que o jogo não está ganho até que se escute o apito final? Era mais ou menos por aí que andava o processo de escolha do presidente do Bradesco – os nomeados para ocupar o cargo, antes de Luiz Carlos Trabuco Cappi, nunca foram os nomes que saíram na frente na disputa.

Foi o que aconteceu com Márcio Cypriano, por exemplo, antecessor de Trabuco Cappi – pouco se falava dele quando se discutia a respeito da sucessão de Lázaro Brandão, que precisaria ser feita em 1999. O mesmo ocorreu com o próprio Brandão que, em 1981, quando concorreu para suceder o fundador do banco, Amador Aguiar. Brandão era considerado um “azarão”.

No entanto, com Luiz Carlos Trabuco Cappi quebrou-se a “tradição”. Ele era mesmo o nome mais cotado para assumir o cargo – o vice-presidente-executivo, na época com 57 anos de idade, foi indicado pelo conselho de administração para liderar o Bradesco a partir de março de 2009. Desde 2003, ele já ocupava a presidência da seguradora do grupo. Em todas as conversas com executivos do mercado financeiro sobre a sucessão de Márcio Cypriano, era o nome dele, que já estava há 40 anos na casa, um dos mais citados.

Bem, Luiz Carlos Trabuco Cappi no comando parecia mesmo uma boa ideia, afinal, ele conhecia o banco como poucos – começou na instituição como escriturário e cabia bem no conceito de um perfil de “continuidade e renovação” valorizado pelo Bradesco. Tanto que já havia sido cotado para o cargo de presidência na ocasião em que Cypriano assumiu, mas, por ter, na época, apenas 47 anos e ser considerado muito novo para a missão de comandar o banco, acabou caindo fora da disputa.

Dessa vez, contudo, Luiz Carlos Trabuco Cappi mantinha-se forte, mas, obviamente, haviam bons concorrentes.  Um deles era José Luiz Acar Pedro que chegou ao grupo depois da compra do Banco de Crédito Nacional (BCN), em 1997. Outro nome bastante cotado pelos analistas era o de Roger Agnelli (3 de maio de 1959 – 19 de março de 2016), na época, presidente da Vale –contudo, da mesma forma que aconteceu com Trabuco Cappi na sucessão de Brandão, é possível que Agnelli tenha sido considerado muito jovem para os padrões da instituição, pois tinha apenas 49 anos de idade.

No fim das contas, o eleito foi mesmo o nome mais falado. Luiz Carlos Trabuco Cappi é apenas o quarto presidente a liderar o banco. Ainda, ele assumiu o cargo quando o Bradesco havia acabado de perder a liderança no mercado. Entretanto, segundo declarações do executivo na época, a liderança em si não era um objetivo, mas sim fazer o melhor trabalho nos municípios atendidos pela instituição. Em 2015, porém, Cappi fez um dos lances mais ousados à frente da instituição bancária – comprou a filial brasileira do HSBC por US$ 5,2 bilhões e manteve o grupo nas primeiras colocações no ranking de ativos.