Ex-diretor da Febraban, diz que crédito no Brasil é muito caro

O atual governo, está fazendo as coisas certas, coisas que precisam ser feitas, mas está com um diagnostico equivocado, parcial do que realmente está acontecendo na economia brasileira. A questão fiscal é o foco principal das atenções. Começou a piorar após o começo da crise e não antes, segundo ex-presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Ademiro Vian.

A crise começou e a dívida pública começou a subir mais rapidamente. O PIB diminuiu, porque a arrecadação também diminui, e a causa principal disso tudo, foi uma crise de crédito, que segue uma dinâmica de crédito desproporcional ao desenvolvimento do país. Em 2010 com uma economia crescendo 7,5% ao ano, já observou-se um grande aumento da inadimplência.

Cada vez mais inadimplência, taxas mais altas, oferta de crédito menor, e isso foi “secando” não só o crédito bancário, mas todo crédito comercial. Comerciantes, empresários com menos capital de giro, fornecedores que exigem o pagamento à vista. Os empresários acabam tendo menos recursos, acabam atrasando impostos, diminuindo estoques e em alguns casos, tem que ser demitido funcionários.

O que favorece essa crise, sem dúvidas, e a dinâmica do crédito, por exemplo: se você planta cana de açúcar e para ser feito uma colheita tem que atear fogo na plantação toda, você conseguirá vender a cana após a colheita tendo então um lucro a curto prazo com ela. Ao fazer isso, você acaba sacrificando a qualidade da terra a longo prazo. Um outro exemplo: um pescador pesca com um tipo de rede uma certa quantidade de peixe, ai aparece outro pescador e diminui a malha para poder pescar mais peixes do que o primeiro pescador. Outro pescador resolve diminuir ainda mais a medida da malha da rede para poder pescar mais peixes ainda. No final, os peixes acabarão e para isso não acontecer, existem leis prescritas para proteger um pescador do outro pescador, e garantir o tempo de reprodução dos peixes. É isso que precisa ser feito com os bancos, proteger os banqueiros dos banqueiros.

O nosso sistema bancário da época da inflação alta, ou seja, capitava e emprestava no mesmo dia, sendo o mais importante garantir a liquides do sistema com a moeda remunerada. Mas isso acabou, a inflação acabou faz 22 anos e meio, e a gente continua pagando pela mesma intermediação, moeda remunerada. Hoje você aplica nos bancos, no dia seguinte você tem rendimento, mas se o banco capita a curto prazo ele emprestará a curto prazo, se ele capitar caro, tem que emprestar caro. Os bancos emprestam caro, as empresas investem pouco, e isso gera uma sistemática que dificulta a disseminação de crédito produtivo em vista de um crescimento mais assíduo para o país.

O que deve ser feito para que esse quadro possa mudar e evoluir, seria os bancos não colocarem prazos de capitação. Se ele capita a curto prazo, ele tem que emprestar a curto prazo, obviamente, se ele capita a longo prazo, ele pode emprestar a longo prazo. Isso reduziria em muito os juros cobrados pelos próprios banqueiros.

A segunda medida que é muito importante, é mudar a tributação. Se você pegar dinheiro emprestado, você tem que pagar o IOF na frente. O ideal é que o banco financie o IOF pra você e zere os créditos tributários, que geram distorções técnicas, onde quem não tem, acaba cobrando mais de quem tem.

Outra distorção que deve ser corrigida, são os compulsórios. Com isso tudo, os bancos vão ter mais dinheiro, mais barato para se emprestar a longo prazo e impulsionar fortes tendências de crescimentos por parte de mais investimentos.