A previsão para o Brasil retomar o crescimento é de 10 anos

A crise econômica enfrentada pelo Brasil nos últimos anos acarretou uma forte queda do PIB desde 2014, retroagindo os ganhos obtidos no período de crescimento econômico.

Segundo a projeção de economistas, o Brasil pode demorar 10 anos para retomar o crescimento. Em 2013 foi o pico do PIB, produto interno bruto, que estava em 30.8 mil reais. A expectativa é que apenas em 2023 ele chegue em 31 mil reais.

Queda no padrão de vida

Segundo Julio Mereb, pesquisador da fundação Getúlio Vargas, “No acumulado desde 2014 até agora, houve queda de 9,6 por cento no PIB per capita. É uma redução do padrão de vida bastante expressiva”.

A crise obrigou a mais da metade dos brasileiros, cerca de 57%, alterar hábitos de consumo. O brasileiro hoje adia ao máximo a aquisição de bens mais caros, pesquisa mais antes de comprar, mudou locais de compras e reduziu as despesas da casa.

“A queda do consumo é uma defesa. As pessoas estão sentindo o desemprego mais perto, vendo familiares próximos perdendo emprego. Também veem que os produtos ficaram mais caros enquanto tem dificuldade de pagar as contas” afirmou Renato da Fonseca gerente-executivo da CNI.

Grande estrago

Se for comparado o PIB brasileiro em dólar com outros países, fica evidente a dimensão do estrago.

Segundo o FMI, Fundo Monetário Internacional, seus últimos números contabilizam que o PIB per capita do Brasil deve terminar 2017 com 15.5 mil dólares, bem longe de economias como a do Chile que terminará com 24.7 mil dólares e a do México com 19.5 mil dólares.

Se for comparado com a Coreia do Sul, que tinha o PIB per capita muito parecido com o do Brasil da década de 80, a riqueza média atual dos sul-coreanos é mais que o dobro da brasileira, com 39,7 mil dólares.

Segundo o professor de economia do Insper Otto Nagami, isso se deve ao grande investimento em educação e a abertura para importação de tecnologia em diversos setores.

Atraso na recuperação

A lenta retomada e recuperação da riqueza se deve a expectativa de baixo crescimento econômico nos próximos anos perante a baixa do PIB nacional que perdeu fôlego na crise. Por causa da queda dos investimentos somada ao baixo crescimento da população economicamente ativa, PEA, que quando avançava nos anos anteriores, ajudava a aumentar a força de crescimento econômico do país.

Outro fator fundamental para o enriquecimento do Brasil é o desemprenho da produtividade. Um dos motivos da crise foi justamente o fomento do consumo aliado ao baixo crescimento produtivo. É necessária uma reforma para aumentar o investimento e melhorar o ambiente de negócios.

O economista do Itaú Rodrigo Miyamoto afirmou sobre isso, “As reformas dão previsibilidade para a economia e puxam o ciclo virtuoso ao tornar o ambiente mais propício para negócios e trazer ganhos de produtividade”.