Produtos e serviços típicos do verão estão cada vez mais altos, segundo FGV

O que ninguém pode negar é que no verão se gasta mais que o normal. Já começam os gastos no fim de ano mesmo, com os presentes e as festividades de réveillon, depois, já no ano novo, entre os meses de janeiro e fevereiro, quando normalmente se está de férias, vêm os gastos com viagens, hotéis, finais de semana em praias e tudo mais. E quem não é muito rico, ao menos espera boas promoções, descontos, enfim oportunidades de desfrutar de tudo isso sem ficar no vermelho. Mas, infelizmente, as notícias não são das melhores. Longe do esperado, segundo os resultados de um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), com 22 itens consumidos costumeiramente no verão, houve um aumento nos seus respectivos preços, cuja a variação média foi, em média, de 9,25% entre janeiro e dezembro de 2016, quando comparado com o mesmo intervalo de tempo no ano de 2015. Para alguns, um fenômeno que poderia até ser chamado de “inflação do verão”.

 

De acordo com o instituto, esse montante de produtos e serviços registrou inflação maior que o IPC (sigla que significa Índice de Preços ao Consumidor), da FGV, que fechou o ano passado em alta, mais precisamente de 6,18%. Em nota, também observaram que os aumentos mais expressivos se deram, em ordem crescente, com as frutas, de 14,99%; com os refrigerantes light e diet, de 16,16%; e, para a infelicidade de muitos, com as passagens áreas, que chamaram, inclusive, de “principais vilões”, dado o aumento médio de 35,92%.

 

No entanto, ainda que tenha havido a referida inflação na maioria dos itens típicos dessa estação do ano, alguns fugiram à regra, ficando então mais baratos, com a considerável queda nos preços. Foram estes, segundo o Ibre/FGV, em ordem decrescente de desconto, a erva mate, com -12,05%; hospedagens em hotéis, com -1,62%; e as excursões e tours, com -1,56%.

 

E não faltaram as tentativas de explicar o que teria ocasionado essa lastimável situação. O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, ainda na já referida nota, justifica o caso mais alarmante deles, dizendo que as passagens aéreas permaneceram em um patamar elevado, por uma consequência da diminuição na concorrência, além, é claro, da influência do dólar. E ainda lembrou André Braz, do referido estudo o autor, que houve, de forma geral, um aumento na taxação das bebidas.

 

Apesar desse aumento de alguns itens com inflação maior que o IPC, outros itens, também de consumo típico do verão, subiram menos que este já citado índice. Podemos citar, como exemplo, e em ordem crescente de aumento, o ar condicionado, com 3,13%; a geladeira e o freezer, com 3,47%; e também os ventiladores, tão indispensáveis no calor dessa época do ano, com 5,96%. E, por falar em calor, é notável que sua forte incidência, como notado nos últimos dias, acabará por manter os tais preços pressionados. Ao menos, é o que conclui Braz, dizendo que, por conta do intenso calor, os preços podem ainda aumentar mais, em consequência da lógica de oferta e procura. Assim, finaliza dizendo ser essa inflação medida, em verdade, aquela que se acumulou desde o verão passado até o deste ano.