Os desafios do setor de cobrança após o crescimento na concessão de crédito; Marcio Alaor reporta

O impulso na concessão de crédito ao brasileiro observado nos últimos tempos gerou, entre outras coisas, enormes desafios para o setor de cobranças, uma vez que quanto maior a concessão, maior também é a inadimplência, apontam os especialistas. O empresário Marcio Alaor, executivo do BMG, ciente da importância do assunto, reporta notícia publicada pelo Portal Exame no início deste mês.

De acordo com a Serasa Experian, o país registrou em agosto deste ano um montante de quase 60 milhões de inadimplentes, o que evidencia a grande responsabilidade do setor de cobrança em recuperar esse diagnóstico delicado. Outro dado relevante citado por Marcio Alaor, através da matéria original, refere-se à 5% desses endividados, parcela que sequer sabe para quem está devendo, o que torna a recuperação do crédito uma tarefa ainda mais complicada.

A Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) trouxe este assunto à tona, no último dia 8 de dezembro, num seminário realizado na cidade de São Paulo. Nele constatou-se que o desafio para o setor de cobrança é considerável, partindo da ideia de que a expansão na distribuição de crédito e a recessão são os dois maiores vilães do atual cenário de endividamento.

Marcio Alaor, ainda menciona o presidente do Instituto Gestão de Excelência Operacional em Cobrança (Geoc), Jefferson Frauches Viana, que reforça a conclusão de que o alto índice de desemprego, aliado aos outros inúmeros reflexos negativos da crise financeira que assola o país, estão dificultando o trabalho do setor do cada vez mais sobrecarregado setor de recuperação de crédito.

Aproximadamente 40% da população acima de 18 anos está endividada, no vermelho. Sessenta milhões de consumidores devem, no total, cerca de 270 bilhões de reais, ao passo que as empresas devem algo em torno de 105 bilhões de reais, o que dá dimensão do papel do setor de cobranças dentro deste tema.

Outros dados reportados por Marcio Alaor, do Banco BMG, apontam que quase 30% dos endividados não sabem exatamente quanto devem e que 77% ganham até dois salários mínimos, o que implica naturalmente na recuperação do crédito destes.

Consciência financeira

As classes C, D e E são as que mais sofrem neste período de crise, recessão e escassez de oportunidades no mercado de trabalho. De acordo com o especialista em economia Godofredo Barros, essas classes sociais passam, ao todo, por quatro momentos de endividamento ao longo da vida. Segundo ele, não tratam-se de mau pagadores, mas sim de pessoas que pouco ou nada tiveram de conhecimento sobre educação financeira.

Marcio Alaor ainda cita que o especialista declarou que o setor de cobrança vem trabalhando arduamente para encontrar uma espécie de perfil do endividado brasileiro, de modo a modernizar e personalizar o modo como é feito a cobrança.

A título de exemplo, sabe-se que a maioria das pessoas que estão no vermelho não gostam de usar o telefone para resolver esse tipo de pendência. Atualmente, o email tem sido usado com maior frequência no processo de recuperação de crédito.